CAMINHÕES SUSTENTÁVEIS

Logística Verde: como a Volvo impulsiona a descarbonização no Brasil

Como a eletrificação, o biodiesel e modelos financeiros inovadores estão redesenhando custos, eficiência e competitividade no transporte pesado nacional
Caminhão elétrico Volvo deixando a fábrica no Brasil, representando a expansão da eletrificação na logística pesada.

O Brasil vive um momento decisivo em sua cadeia logística: os custos elevados e a urgência por práticas mais sustentáveis tornam a descarbonização não apenas uma pauta ambiental, mas um vetor estratégico de competitividade industrial. Nesse cenário, a Volvo se destaca como catalisadora de uma mudança profunda. A montadora sueca não está apenas oferecendo caminhões elétricos ou movidos a biocombustível, ela lidera a construção de um ecossistema que transforma eficiência logística, reduz riscos corporativos e fortalece operadores diante do novo paradigma energético.

Enquanto os custos logísticos do país atingiram 18,4 % do PIB em 2023, segundo o ILOS, a Volvo aposta em soluções que convergem sustentabilidade e rentabilidade. Por meio de seus modelos elétrico e flex (biodiesel), a companhia articula parcerias com transportadoras, financiamento verde e modelos de negócio inovadores para reescrever a equação de custo da cadeia de valor.

Redefinindo o custo logístico: além do caminhão

A transição energética promovida pela Volvo não é apenas sobre motorização, é sobre reestruturar a forma como os operadores logísticos pensam seu custo total de propriedade (TCO). Com seus Volvo FM Electric, a montadora já iniciou testes em operações brasileiras reais. Esses veículos têm autonomia de até 300 km, potência de 490 kW (660 hp) e podem ser recarregados em 1h30 a 8h, dependendo do tipo de carregador.

Do lado dos veículos a biocombustível, a Volvo apresenta o FH B100 Flex, que aceita 100% de biodiesel, reduzindo significativamente as emissões de CO₂. Essa estratégia dual (elétrico + biodiesel) permite que transportadores operem de modo sustentável mesmo onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada.

O Volvo FH B100 Flex pode rodar com biodiesel, diesel ou a mistura dos dois combustíveis
O Volvo FH B100 Flex pode rodar com biodiesel, diesel ou a mistura dos dois combustíveis

Mais do que economia de combustível, a Volvo emprega modelos de negócio integrados: no seu primeiro grande contrato com caminhões elétricos, a Reiter Log locou cinco unidades do FM Electric por meio da Locadora Volvo, em um modelo que inclui manutenção, conectividade e assistência 24h. Esse tipo de serviço posiciona o caminhão como parte de uma solução logística completa, não apenas um ativo isolado.

Desafios estruturais: investimento, escala e risco

Transformar a logística sustentável no Brasil exige superar obstáculos estruturais. A autonomia limitada dos veículos elétricos, como o Volvo FM Electric com alcance de até 300 km, restringe sua operação a rotas urbanas e regionais. Para trajetos longos, a falta de corredores de recarga de alta potência limita a expansão, mostrando que tecnologia isolada não basta: é preciso um plano integrado entre governo, setor privado e operadores logísticos.

Outro desafio crítico está na estrutura de capital. Modelos tradicionais muitas vezes não absorvem o risco inicial de aquisição e infraestrutura, elevando o TCO para empresas menores. Embora soluções como Fleet-as-a-Service incluam manutenção e energia, a escala necessária para tornar a frota elétrica competitiva em todo o país ainda é alta, exigindo parcerias e inovação financeira.

A Go Electric inaugurou seu segundo cluster de recarga de veículos elétricos, na cidade de Cajamar, na Grande São Paulo.
A Go Electric inaugurou o segundo cluster de recarga de veículos elétricos, em Cajamar/SP

Além disso, os custos logísticos sofrem pressão devido a estoques elevados. Segundo o ILOS, os gastos com estoques subiram de 3,2% para 7% do PIB, refletindo capital parado e ineficiência operacional. Sem otimização de rotas, energia e ativos, a transição para a logística verde pode se tornar onerosa, impactando toda a cadeia de suprimentos.

Estratégias para escalar a descarbonização setorial

Para transformar o panorama, a Volvo e seus parceiros logísticos estão atuando em frentes complementares:

1. Modelos de acesso e financiamento

A locação (Fleet-as-a-Service) adotada com a Reiter Log reduz a barreira de investimento inicial, incluindo manutenção e suporte técnico no contrato. Incentivos internos e externos aceleram a transição, alinhando a agenda ESG das empresas com ganhos operacionais.

2. Uso estratégico do biodiesel 100%

Com o FH B100 Flex, a Volvo permite que operadores usem biodiesel puro onde a rede de recarga ainda não existe, mantendo emissões reduzidas sem comprometer a operação em rotas mais longas. Essa abordagem flexível funciona como uma plataforma de transição: à medida que a infraestrutura elétrica cresce, a dependência de biocombustível diminui, mas sem interromper a jornada sustentável.

3. Validação operacional e parcerias-piloto

A Volvo já testa o FM Electric em operações logísticas de sua fábrica em Curitiba, com 10 caminhões em rotas entre fornecedores e a planta. A empresa também colabora com a Prefeitura de Curitiba em testes urbanos, como caminhões elétricos para coleta de resíduos, ampliando o uso estratégico da tecnologia em centros metropolitanos.

Volvo como motor setorial e competitivo

A estratégia da Volvo não se resume a oferecer produtos “verdes”: ela atua como forjadora de um novo modelo de logística sustentável. Por meio de parcerias, inovação em financiamento e tecnologia flexível, a montadora cria valor para operadores, otimiza custos e mitiga riscos estruturais.

O resultado é um ciclo virtuoso: à medida que mais transportadoras adotam veículos limpos, cresce a demanda por infraestrutura de recarga, incentivando novos investimentos. Assim, a cadeia logística se torna mais resiliente, eficiente e completamente alinhada com padrões ESG exigidos por clientes globais.

No longo prazo, a liderança da Volvo no Brasil serve de referência para toda a América Latina. Com regulação, financiamento e colaboração adequados, o país pode se destacar como polo industrial de logística verde. A transformação não é apenas ambiental: é estratégica, competitiva e absolutamente essencial para o futuro da indústria pesada nacional.

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